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Jaguariúna avança no tombamento de conjunto ferroviário e Ponte Pedro Abrucês

Foto do escritor: Redação
Redação
há 10 minutos
4 min de leitura
Locomotiva 236, de fabricação norte-americana, seu tender, destinado ao transporte de carvão e água, e um carro de passageiros: conjunto ferroviário tombado pelo Conphaaj
Locomotiva 236, de fabricação norte-americana, seu tender, destinado ao transporte de carvão e água, e um carro de passageiros: conjunto ferroviário tombado pelo Conphaaj

A preservação da memória ferroviária e do patrimônio arquitetônico de Jaguariúna ganhou novos capítulos após a reunião do Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Artístico, Arquitetônico, Arqueológico e Paisagístico (CONPHAAJ), realizada no último dia 28 de outubro.


Entre as deliberações, o conselho aprovou o tombamento municipal do conjunto ferroviário instalado no Centro Cultural 'Ulisses da Rocha Cavalcanti' e abriu o processo de tombamento da Ponte Pedro Abrucês, além de iniciar novos procedimentos voltados à proteção de imóveis históricos da cidade.


A reunião também foi marcada pela participação de representantes de 14 segmentos, considerada pelo conselho uma das mais expressivas já registradas. A expectativa é que os processos avancem para novas deliberações em 9 de dezembro, quando está prevista a análise de um conjunto de 18 patrimônios históricos.


Memória ferroviária protegida


O conjunto ferroviário do Centro Cultural 'Ulisses da Rocha Cavalcanti', conhecido como ZI, passou a contar com o reconhecimento do tombamento municipal. A antiga estação já havia sido tombada pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo (CONDEPHAAT), em 2015.


A proteção municipal contempla também equipamentos históricos que fazem parte do acervo ferroviário exposto no local: dois semáforos ferroviários, uma rotunda inglesa, utilizada para girar locomotivas, a Locomotiva 236, de fabricação norte-americana, seu tender, destinado ao transporte de carvão e água, e um carro de passageiros.

Os três equipamentos ferroviários foram restaurados em 1990 pelo ferroviário e ex-político Pedro Abrucês e permanecem em exposição no Centro Cultural, compondo parte importante da memória da antiga Companhia Mogiana de Estradas de Ferro.



Ponte de 1875 entra em processo de tombamento


Outra decisão importante foi a abertura do processo de tombamento da Ponte Pedro Abrucês, também conhecida como Ponte Vermelha, Ponte da Santa Úrsula ou Ponte do Jatobazeiro. A estrutura está entre as primeiras construções ferroviárias da Companhia Mogiana na região e foi inaugurada em maio de 1875, juntamente com a primeira estação ferroviária de Jaguary, durante a chegada do primeiro trem da companhia, no trecho que partia de Campinas.



A ponte teve papel importante na formação da cidade e, inicialmente, possuía leito de madeira de lei e treliças. Posteriormente, sua estrutura foi substituída por uma ampla composição metálica.


O uso ferroviário terminou em 15 de dezembro de 1945, quando foram construídas uma nova ponte e uma nova estação. A partir de então, a estrutura centenária passou a ser utilizada exclusivamente para o tráfego rodoviário.


A história de sua preservação tem participação direta de Pedro Abrucês. Em 2008, preocupado com a integridade da construção, ele procurou o Ministério Público local para solicitar medidas de proteção. A iniciativa deu origem ao Inquérito Civil nº 03/2008 e ao Processo Administrativo nº 1262/2008, na Prefeitura de Jaguariúna.


Na década de 1980, o ferroviário já havia realizado intervenções para proteger os pilares e alicerces da ponte, com a instalação de trilhos pintados de vermelho, recuperação da passagem de pedestres e medidas para organizar a circulação de veículos, buscando reduzir a pressão sobre a estrutura histórica.


A ponte também consta no Catálogo Municipal do Patrimônio Histórico, aprovado pelo CONPHAAJ em 2014. Com a abertura do processo de tombamento, o conselho dá continuidade a uma discussão iniciada há quase duas décadas em torno da preservação de uma das estruturas mais antigas ligadas à origem ferroviária de Jaguariúna.


Casarões históricos também entram na pauta


Além da ponte, o conselho abriu novos processos de preservação de imóveis que integram a paisagem cultural do município. A atenção está voltada especialmente aos casarões do centro histórico, construídos no final do século XIX, com características da arquitetura eclética, que reúne elementos neoclássicos e influências de construtores europeus.


A iniciativa busca preservar não apenas edificações isoladas, mas também características arquitetônicas e referências que ajudam a contar a história da formação urbana de Jaguariúna.


O trabalho ganha importância diante das transformações ocorridas no centro da cidade ao longo das últimas décadas e da necessidade de conciliar o desenvolvimento urbano com a conservação de construções que representam a identidade histórica local.


Uma trajetória de quase duas décadas


A mobilização organizada pela preservação do patrimônio histórico de Jaguariúna ganhou estrutura institucional em 2009, com a criação do conselho municipal. No entanto, as iniciativas começaram antes, em 2008, com a atuação de Pedro Abrucês em defesa da antiga ponte ferroviária.


A expectativa do conselho é avançar nas etapas de proteção dos bens históricos, com a previsão de novas deliberações em 9 de dezembro. A proposta é ampliar o reconhecimento e a preservação de referências arquitetônicas, ferroviárias e culturais que ajudam a explicar a formação de Jaguariúna.


Mais do que proteger prédios e estruturas antigas, o trabalho busca manter viva a memória de diferentes períodos da cidade e garantir que parte dessa história continue presente para as próximas gerações.


📝 Tomaz de Aquino Pires, coordenador da Casa da Memória Padre Gomes, de Jaguariúna, é autor de artigos históricos que auxiliam nas reportagens publicadas em O Jaguar e demais órgãos de imprensa.
📝 Tomaz de Aquino Pires, coordenador da Casa da Memória Padre Gomes, de Jaguariúna, é autor de artigos históricos que auxiliam nas reportagens publicadas em O Jaguar e demais órgãos de imprensa.


📷 As fotografias publicadas nesta coluna são selecionadas por Josí Rosana Panini: especialista em gestão de documentos históricos e preservação de acervos textuais, fotográficos e iconográfico da Casa da Memória Padre Gomes.
📷 As fotografias publicadas nesta coluna são selecionadas por Josí Rosana Panini: especialista em gestão de documentos históricos e preservação de acervos textuais, fotográficos e iconográfico da Casa da Memória Padre Gomes.


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