Holambra completa 35 anos de emancipação e relembra suas origens em Jaguariúna

Cidade nasceu de uma colônia de imigrantes holandeses instalada na antiga Fazenda Ribeirão e conquistou autonomia política em 27 de outubro de 1991

Holambra completou 35 anos de emancipação político-administrativa na terça-feira (27), com uma história diretamente ligada a Jaguariúna. A trajetória da cidade, hoje conhecida pela produção de flores, começou na antiga Fazenda Ribeirão, onde famílias de imigrantes holandeses se estabeleceram a partir de 1948 e deram início a um projeto de desenvolvimento agrícola que, décadas depois, resultaria na criação de um novo município.
A história foi resgatada por Tomaz de Aquino Pires, coordenador da Casa da Memória Padre Gomes, de Jaguariúna, em um artigo que reúne informações sobre a ocupação das terras, a chegada dos imigrantes e o processo político que levou à emancipação de Holambra.
Segundo o texto, as terras da Fazenda Ribeirão estavam ligadas à antiga sesmaria de Luiz Antônio de Souza e Vicente Guedes Barreto. Posteriormente, parte da propriedade passou por herança até chegar ao Barão de Socorro e a seu filho. A fazenda foi adquirida pela empresa norte-americana Armour, do setor frigorífico, antes de se tornar o local escolhido para a instalação da colônia holandesa.
A iniciativa ocorreu no contexto das dificuldades enfrentadas pela Europa após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Diante dos desafios de reconstrução da Holanda, organizações ligadas aos agricultores e horticultores católicos buscaram alternativas para seus associados em outros países.

Em 1948, chegaram as primeiras famílias holandesas à região. A partir da aquisição de 2,1 mil alqueires de terras da Armour, teve início o projeto que daria origem à Cooperativa Agropecuária Holambra. Os imigrantes investiram na pecuária leiteira e no cultivo de algodão, trigo, cereais e outras plantas, estabelecendo as bases da atividade agrícola que marcaria a identidade da cidade.
Em seu artigo, Tomaz destaca a dimensão territorial da antiga fazenda, que abrangia áreas de diferentes municípios da região. A maior parte das terras estava em Jaguariúna, mas havia também porções em Santo Antônio de Posse, Artur Nogueira, Cosmópolis e Paulínia.
Emancipação exigiu articulação política
O crescimento da cooperativa e da comunidade holandesa alimentou o desejo de autonomia administrativa. Entretanto, o processo enfrentava um obstáculo legal: Holambra ainda não era distrito, condição que, conforme o relato, dificultava a emancipação pelas regras vigentes na época.
Durante a primeira gestão do prefeito Tarcísio Cleto Chiavegato, entre 1989 e 1992, Jaguariúna apoiou o movimento emancipacionista. Dois vereadores eleitos pela comunidade de Holambra, Enivaldo Lobo e Ariovaldo Venturini, participaram das articulações para viabilizar a criação do município.

A mobilização também envolveu representantes políticos estaduais, entre eles os deputados Nélson Nicolau, Miguel Martini, Barros Munhoz e Edinho Araújo. Uma comissão liderada por Enivaldo Lobo reuniu integrantes da comunidade e da cooperativa para defender a emancipação.
Ao recordar as dificuldades enfrentadas pelos pioneiros, Tomaz de Aquino Pires descreve a transformação da antiga fazenda em uma comunidade agrícola próspera: “A Cooperativa cresceu como a vinha bíblica e aspirava já a sua emancipação político-administrativa. Apenas Jaguariúna era favorável à sua independência.”
O autor também destaca o trabalho dos imigrantes na transformação da paisagem e no desenvolvimento da produção agrícola. Em outro trecho, resume a trajetória da comunidade holandesa e sua relação com a cidade de origem:
“Assim a pequena Holambra, filha de Jaguariúna, Princesa do trabalho e garra dos pioneiros holandeses que enfrentaram toda a gama de dificuldades para tirar daquelas terras de pouca cultura as mais lindas flores, transformando as mesmas em jardim fértil, florindo o mundo, torna-se emancipada em 27 de outubro de 1991.”
A emancipação foi oficializada em 27 de outubro de 1991, data que marcou o início de uma nova etapa administrativa para a comunidade. A separação política, no entanto, não apaga os vínculos históricos entre os dois municípios, construídos desde a ocupação da Fazenda Ribeirão e o estabelecimento das primeiras famílias holandesas.
Para Tomaz, a história da cidade é também parte da memória regional, que conecta a formação de Holambra à trajetória de Jaguariúna e ao esforço coletivo de imigrantes e lideranças que participaram da construção do município.




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