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Festas de fim de ano elevam risco de afogamento infantil, alertam especialistas

  • Foto do escritor: Redação
    Redação
  • 19 de dez. de 2025
  • 2 min de leitura
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O aumento das confraternizações de fim de ano, com piscinas, chácaras, praias e clubes cheios, acende um alerta preocupante: o afogamento segue entre as principais causas de morte infantil no Brasil. Dados do Boletim Epidemiológico 2025, divulgados pela Sociedade Brasileira de Salvamento Aquático (Sobrasa), apontam que o afogamento é a segunda maior causa de morte de crianças entre 1 e 4 anos no país. O dado chama atenção não apenas pela gravidade, mas pelo fato de que esses acidentes costumam ocorrer de forma rápida, silenciosa e até mesmo em poucos centímetros de água.

Especialistas alertam que a maioria dos casos acontece em ambientes domésticos ou considerados seguros pelos responsáveis. Piscinas residenciais, banheiras, caixas d’água, baldes e até pequenos reservatórios podem se transformar em cenários de risco quando não há supervisão constante.

Segundo o professor do curso de Enfermagem do Centro Universitário de Jaguariúna (UniFAJ), Luiz Fernando Fogaça, a prevenção é o principal fator para evitar tragédias e representa o primeiro elo da chamada cadeia de sobrevivência no afogamento. Ele explica que medidas simples, como vigilância contínua, ensino da natação desde cedo e a proibição de deixar crianças sozinhas próximas à água, são decisivas para reduzir os riscos.

O erro mais comum é achar que nada vai acontecer em poucos segundos”, alerta o docente. Situações rotineiras, como deixar um bebê sozinho na banheira para atender o telefone ou realizar uma tarefa rápida, estão entre as principais causas de acidentes graves. “A desatenção é o maior inimigo. Quando o responsável retorna, a criança já pode estar submersa”, afirma.

CONTRA O TEMPO


Além da prevenção, Fogaça destaca a importância do reconhecimento rápido do afogamento e do acionamento correto dos serviços de emergência. O Corpo de Bombeiros, pelo telefone 193, deve ser chamado para realizar o resgate da vítima da água. Já o SAMU, acionado pelo 192, atua após a retirada.


“Muita gente ainda confunde. Quem faz o resgate é o Corpo de Bombeiros. O tempo submerso influencia diretamente na gravidade e no risco de morte”, explica.


Enquanto o socorro é acionado, quando possível e sem colocar outras pessoas em risco, a recomendação é lançar um objeto flutuante para ajudar a manter a vítima na superfície até a chegada dos bombeiros.


Após a remoção da água, o estado da vítima é classificado conforme o grau de afogamento, que pode variar de leve a gravíssimo. Os quadros mais severos aumentam significativamente o risco de óbito e podem provocar complicações como danos pulmonares, falta de oxigênio no organismo (hipóxia) e sequelas neurológicas. O professor também esclarece que há diferença entre o afogamento “molhado”, com entrada de água nos pulmões, e o “seco”, quando ocorre o fechamento das vias aéreas, levando à insuficiência respiratória mesmo sem grande aspiração de água.

Mesmo quando a criança sobrevive ao episódio inicial, os riscos não cessam. Complicações tardias, como broncoaspiração e problemas respiratórios, podem surgir horas depois, exigindo acompanhamento médico.


Com a proximidade das festas de fim de ano, Fogaça reforça que a supervisão precisa ser redobrada e compartilhada entre os adultos presentes. “Em momentos de distração, música e conversas, é essencial definir quem está responsável pela vigilância. Prevenção salva vidas. Estar atento e saber como agir faz toda a diferença”, conclui.

 
 
 

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