Brasileiro de Jaguariúna morre em combate na guerra da Ucrânia:“Foi um herói”, relata amigo
- Gustavo Santos
- há 4 horas
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O brasileiro Otavio Guilherme Giorni Cardoso, de 29 anos, conhecido entre colegas de combate pelo codinome Osíris, morreu nesta semana durante uma missão militar na Ucrânia, país que defendia desde o ano passado na guerra contra a Rússia. Morador de Jaguariúna, ele deixa familiares e amigos, que receberam a notícia com muita comoção.
Otavio atuava como voluntário ao lado das forças ucranianas no 2º Corpo da Guarda Nacional de Kharkiv. Segundo relatos divulgados por apoiadores nas redes sociais, ele teria decidido viajar para o país com o objetivo de defender a Ucrânia no conflito.
Nesta semana, durante um ataque russo na cidade de Kupiansk, no leste da Ucrânia, o batalhão de Otavio foi atingido por um intenso bombardeio dos russos. O brasileiro foi atendido com primeiros socorros mas não resistiu aos ferimentos.
As informações foram confirmadas pelo combatente brasileiro Thiago Magalhães da Silva, 35 anos, companheiro que treinou Otavio ao chegar no país em outubro de 2025. Ele conversou com a reportagem do O Jaguar nesta sexta-feira (20), e detalhou sua amizade, os conflitos e a tristeza pela perda de Osíris, como era chamado.
“Ele combateu bravamente, foi um verdadeiro herói. Foi socorrido pela equipe, mas no campo de batalha, em uma área difícil, é praticamente impossível o resgate completo". O goiano está na região de Sloviansk, e recebeu as informações sobre a morte do companheiro por outros colegas brasileiros, que também estavam na zona de combate.
“Eu era o veterano dele. Ensinei muitas coisas quando ele chegou. Tivemos muitas conversas, momentos de diversão. Depois ele foi para outro batalhão e fez algumas missões. Na quarta missão, infelizmente, aconteceu isso”, disse.
O Ministério das Relações Exteriores informou que há registro oficial de 22 brasileiros mortos e 44 desaparecidos na guerra, que já dura três anos. A morte de Otavio ainda não havia sido contabilizada formalmente pelo órgão até esta quinta-feira (19), segundo nota publicada pelo jornal O Globo.
Thiago explicou que em zonas de combate, quando o corpo não é recuperado, o militar costuma ser classificado como 'desaparecido', embora os colegas considerem a morte praticamente certa. Segundo o combatente, há mais brasileiros desaparecidos do que oficialmente mortos no conflito.
Kupiansk é uma das áreas mais disputadas da guerra entre Rússia e Ucrânia. Segundo Thiago, forças russas têm avançado na região, enquanto equipes ucranianas realizam operações de assalto para retomar posições ocupadas por russos.
'UM GRANDE AMIGO'
Thiago descreveu Otavio como inteligente e muito respeitado entre os combatentes. “Ele foi um grande amigo. Uma perda enorme. Estou muito pensativo sobre isso”, disse.
A família não se pronunciou publicamente sobre o caso, e não há previsão de traslado do corpo ao Brasil devido às dificuldades de resgate na área de conflito.
O Ministério das Relações Exteriores alertou que o alistamento voluntário de brasileiros em forças armadas estrangeiras envolve riscos à integridade física, limita a assistência consular e pode gerar responsabilização legal. O Itamaraty também afirmou que o governo não é obrigado a custear o retorno ao Brasil e recomendou que convites ou ofertas de trabalho militar em outros países sejam recusados.




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