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Como era Jaguariúna quando a cidade conquistou sua emancipação, em 1953

Foto do escritor: Redação
Redação
há 8 horas
4 min de leitura

Documento apresentado à Assembleia Legislativa descrevia uma cidade com cerca de 5 mil habitantes, grandes fazendas, produção agrícola, ferrovia, escolas, igreja e estruturas que sustentavam o movimento pela independência de Mogi Mirim



Quando Jaguariúna iniciou o processo que levaria à sua emancipação político-administrativa, em 1953, o então Distrito de Paz já apresentava características que, segundo um documento encaminhado à Assembleia Legislativa de São Paulo, demonstravam que a localidade estava preparada para seguir seu próprio caminho.


O movimento pela emancipação vinha sendo articulado desde dezembro de 1952 e ganhou força ao longo de 1953. Políticos locais se organizaram com o incentivo de Mogi Mirim, partidos indicaram representantes e foi formada uma Comissão Pró-Emancipação Político-Administrativa de Jaguariúna.


A população foi chamada a se manifestar por meio de um plebiscito, e a proposta de emancipação saiu vitoriosa.


Uma vila com cerca de 5 mil habitantes


Na época, Jaguariúna tinha aproximadamente 5 mil habitantes. Cerca de 3 mil viviam na zona rural e outros 2 mil estavam concentrados no centro da vila.


O documento destacava o número de residências existentes na área central e a quantidade de propriedades rurais. Também ressaltava a proximidade com Campinas e a melhoria no acesso proporcionada pelo asfaltamento da estrada de rodagem entre Campinas e Mogi Mirim.


A distância até Mogi Mirim era descrita como de aproximadamente 40 minutos, enquanto Jaguariúna também contava com o transporte ferroviário da Companhia Mogiana e alguns horários de transporte rodoviário.


Igreja, praça, escola e estação ferroviária


A estrutura existente na vila também era utilizada como argumento para demonstrar sua capacidade de se tornar município.


Jaguariúna possuía uma Igreja Matriz em estilo “gótico-bizantino”, uma praça ajardinada, fonte luminosa e um coreto construído em 1926 pela própria população.


O Grupo Escolar, instalado em prédio próprio desde 1946, tinha como patrono o Cel. Amâncio Bueno, considerado o fundador do Distrito.


Outro destaque era a estação ferroviária da Companhia Mogiana, inaugurada em 1945. A Casa Paroquial, também de 1945, era descrita no documento como uma construção de excelente arquitetura.


A Igreja Católica também mantinha terrenos destinados a diferentes projetos. Entre eles estavam um Parque Infantil, uma área reservada para a construção de um hospital e um terreno destinado à construção de um prédio para cine-teatro. Havia ainda espaços para salas paroquiais voltadas à catequese, cursos e reuniões religiosas.


Estádio Auro de Moura Andrade



Em 1953, estava em construção o Estádio “Auro de Moura Andrade”, destinado à União Esportiva Jaguariense. A inauguração ocorreu em 29 de novembro daquele ano.

O estádio se tornaria uma das estruturas esportivas marcantes daquele período de transformação vivido pela cidade.


Café, algodão, cereais e grandes fazendas


A economia local tinha forte ligação com a atividade rural.


Grandes fazendas produziam algodão, café e cereais. A Cooperativa Agropecuária Holambra atuava na criação de gado leiteiro holandês, além de manter atividades de laticínios, granja e lavoura.


Também havia criação de gado reprodutor selecionado e gado de corte em outras propriedades rurais.


Entre as fazendas citadas no documento estava o Haras Ipiranga, apresentado como o segundo maior haras do Brasil naquele período.


A propriedade era dedicada à criação e reprodução de cavalos de puro-sangue e preparava potros para o Jóquei Clube de São Paulo. O proprietário, Dr. Mílton Evaldo Loddi, costumava chegar à fazenda em seu próprio avião, que pousava na propriedade durante suas visitas.


A produção agrícola incluía ainda frutas cítricas e diferentes culturas, descritas no documento da uva à banana.


Quatro fábricas e uma cidade em transformação


Apesar da forte presença rural, Jaguariúna também já apresentava atividade industrial.

O documento registrava a existência de quatro fábricas: uma de raspa de mandioca, uma de polpa de goiaba, uma de tijolos e telhas e outra de louças.


Mas a descrição também registrava as limitações da infraestrutura da época.


A vila ainda não possuía água encanada nem rede de esgoto. O fornecimento de energia elétrica era feito pela Empresa Hidro-Elétrica Jaguari, de Pedreira, mas o documento apontava carência no abastecimento de energia.


A realidade mostrava, portanto, uma cidade que já possuía estruturas importantes, mas ainda enfrentava problemas básicos de infraestrutura.


O caminho até a emancipação

Como parte do processo de emancipação, foi elaborada uma descrição do então Distrito de Paz de Jaguariúna, reunindo informações sobre sua população, localização, infraestrutura, atividades econômicas e estruturas existentes na localidade.

O documento apresentava uma população de aproximadamente 5 mil habitantes, sendo cerca de 3 mil na zona rural e 2 mil concentrados no centro da vila. Também destacava a proximidade com Campinas, o acesso pela estrada de rodagem, que havia sido asfaltada, e o transporte ferroviário da Companhia Mogiana.

A descrição relacionava ainda equipamentos e estruturas existentes na época, como a Igreja Matriz, a praça ajardinada, o Grupo Escolar, a estação ferroviária, a Casa Paroquial, além das atividades agrícolas, pecuárias e industriais desenvolvidas no distrito.

O material foi encaminhado à Assembleia Legislativa de São Paulo como parte do processo de emancipação e era assinado pelo tabelião Alonso de Almeida e pelo industrial Adone Bonetti, representantes da comissão responsável pelo movimento.

Após o cumprimento dos procedimentos necessários, Jaguariúna conquistou sua Emancipação Política em 30 de dezembro de 1953

130 anos de história


A trajetória de Jaguariúna, no entanto, começou muito antes da emancipação.

Em 5 de agosto de 1896, foi criado oficialmente o Distrito de Paz de Jaguari. Décadas depois, em 1953, a localidade deixaria de pertencer administrativamente a Mogi Mirim para iniciar sua própria história como município.


Neste 12 de setembro de 2026, Jaguariúna chega aos 72 anos de emancipação e celebra também os 130 anos de sua história oficial, marcada por transformações que levaram aquela antiga vila de aproximadamente 5 mil habitantes a se tornar o município conhecido atualmente.


Parabéns, Jaguariúna.

 

 
 
 

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