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Aniversário histórico: Matriz Centenária é tombada nos 130 anos de Jaguariúna

  • Foto do escritor: Gustavo Santos
    Gustavo Santos
  • há 14 horas
  • 4 min de leitura
Marco da fundação de Jaguariúna, a Matriz Centenária de Santa Maria foi inaugurada em 1894 - Foto: Acervo Casa da Memória
Marco da fundação de Jaguariúna, a Matriz Centenária de Santa Maria foi inaugurada em 1894 - Foto: Acervo Casa da Memória

Em um dia histórico para Jaguariúna, a Matriz Centenária de Santa Maria, marco da fundação da cidade, foi tombada no aniversário oficial de 130 anos do município, celebrado na última quarta-feira, 5 de agosto. A decisão unânime do Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arquitetônico e Ambiental de Jaguariúna (CONPHAAJ) garante proteção ao patrimônio e fortalece a mobilização pela preservação e pelo restauro de suas estruturas. Construída entre 1889 e 1894, a antiga Capela de Santa Maria do Jaguary é considerada o marco de fundação da Vila Bueno, núcleo que deu origem à atual Jaguariúna. O tombamento municipal reconhece oficialmente o valor histórico e cultural da construção e estabelece Grau de Proteção 1 (GP1), que prevê a preservação integral do patrimônio, com o objetivo de manter suas características arquitetônicas e históricas.

A reunião do conselho contou com a presença de 14 dos 16 integrantes, entre representantes da sociedade civil e do poder público. Durante a sessão, foram apresentados documentos históricos relacionados à Matriz, incluindo plantas, fotografias e registros preservados pela Casa da Memória Padre Gomes, de Jaguariúna.

“A Matriz Centenária é o marco de fundação da Vila Bueno e, portanto, é um patrimônio que precisa ser preservado para que a história da cidade permaneça viva.”, destacou o professor e coordenador da Casa da Memória, Tomaz de Aquino Pires.


Fotografias, plantas e documentos históricos que ajudam a registrar diferentes etapas da história da antiga Capela de Santa Maria do Jaguary, construída entre 1889 e 1894 estão preservadas na Casa da Memória.

A conclusão da Matriz ocorreu em setembro de 1894, ano em que o coronel Amâncio Bueno, fundador da Vila Bueno, completava 34 anos. Segundo o coordenador, a escolha do mês também guarda relação com a devoção a Maria.

“A construção da capela foi realizada às expensas de Amâncio Bueno, que posteriormente a doou ao clero. A igreja passou a integrar o núcleo da vila planejada pelo fundador, que também encomendou a planta da Vila Bueno e participou da construção dos primeiros casarões do povoado”, explica.


Tombamento pode facilitar preservação e restauro

Além do reconhecimento histórico, o tombamento municipal cria uma nova referência para as ações de preservação da Matriz Centenária – que passa por um processo de restauro. Segundo Tomaz, a formalização do patrimônio poderá contribuir para que o Conselho, a comissão responsável pelo tombamento e a própria igreja busquem recursos e alternativas para a conclusão do processo de restauro.

A intenção é que a intervenção respeite as características originais da construção. Por estar enquadrada no GP1, a Matriz deverá ser preservada de maneira a manter sua configuração histórica e arquitetônica.

O professor também ressaltou a preocupação com a área no entorno da igreja, especialmente com a manutenção da visibilidade da Matriz a partir da Praça Umbelina Bueno. A discussão envolve a preservação do conjunto histórico e a necessidade de evitar intervenções que possam comprometer a leitura do patrimônio e sua relação com o espaço urbano onde está inserido.



A preocupação está relacionada ao próprio conceito de preservação do patrimônio histórico: não apenas a edificação, mas também sua inserção no espaço urbano e sua relação visual com o entorno podem ser consideradas nas políticas de proteção.


5 de agosto e os 130 anos de Jaguariúna

O tombamento da Matriz ganha significado ainda maior por ter ocorrido em 5 de agosto, data que marca o primeiro registro oficial de Jaguariúna.

Foi em 5 de agosto de 1896, por meio da Lei nº 433, assinada pelo então presidente da Província de São Paulo, Manoel Ferraz de Campos Salles, que foi criado o Distrito de Paz de Jaguary. A data é defendida por pesquisadores da história local como o nascimento oficial de Jaguariúna.


Os membros do conselho defendem que a comemoração da Semana do Município considere os 130 anos de história oficial da cidade, além dos 71 anos de emancipação política e administrativa. A emancipação ocorreu posteriormente, em 30 de dezembro de 1953, quando a Lei nº 2.456 criou o Município de Jaguariúna. São, portanto, duas datas distintas na trajetória local.


Diretora Profª. Cleonice Mello e Silva. Desfile Cívico, 07 de setembro de 1957
Diretora Profª. Cleonice Mello e Silva. Desfile Cívico, 07 de setembro de 1957

Durante a reunião do conselho, a historiadora Maria Abigail Nogueira de Moraes Ziggiatti também defendeu que o dia 5 de agosto passe a ser mais lembrado nas escolas e repartições públicas, como forma de ampliar o conhecimento sobre a história da cidade. A proposta não envolve a criação de um novo feriado municipal, já que Jaguariúna possui o feriado de 12 de setembro.

Desfile com trajes típicos de representação dos países, em comemoração do Aniversário do Município de Jaguariúna, setembro de 1972
Desfile com trajes típicos de representação dos países, em comemoração do Aniversário do Município de Jaguariúna, setembro de 1972

Desfile comemorativo da Independência do Brasil. Alinhamento para o desfile no pátio do Grupo Escolar “Cel. Amâncio Bueno”, década de 1950
Desfile comemorativo da Independência do Brasil. Alinhamento para o desfile no pátio do Grupo Escolar “Cel. Amâncio Bueno”, década de 1950

Próximo tombamento será o Centro Cultural


Durante a mesma reunião, o conselho também deu início ao processo para o próximo tombamento municipal. O patrimônio escolhido é o Centro Cultural de Jaguariúna, antiga segunda estação ferroviária da Mogiana no município, inaugurada em 1945.


O imóvel já possui proteção em âmbito estadual pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico de São Paulo (CONDEPHAAT). Agora, uma comissão de tombamento municipal será formada para reunir documentos, estudar o patrimônio e preparar a próxima etapa do processo.



📷 As fotografias publicadas nesta coluna são selecionadas por Josí Rosana Panini: especialista em gestão de documentos históricos e preservação de acervos textuais, fotográficos e iconográfico da Casa da Memória Pe. Gomes, de Jaguariúna-SP.


 
 
 

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