ENTREVISTA: Gustavo Reis aposta na experiência e defende protagonismo da RMC na Alesp
- Gustavo Santos

- há 2 dias
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O ex-prefeito de Jaguariúna, Márcio Gustavo Bernardes Reis, o Gustavo Reis (PSD), 54 anos, é um dos nomes que voltam a se movimentar no cenário eleitoral com a pré-candidatura a deputado estadual. Com três mandatos à frente do Executivo municipal, ele construiu uma trajetória marcada pela atuação direta na gestão pública e pela presença em pautas regionais.
Formado em Direito e com especialização em Direito do Trabalho, Gustavo iniciou a carreira política como vereador antes de chegar à Prefeitura. Ao longo de suas administrações, destaca, em seu material de apresentação, ações em áreas como saúde, educação, segurança e programas sociais, além de iniciativas voltadas à modernização da gestão pública.
O ex-prefeito também ressalta reconhecimentos obtidos pelo município durante seus mandatos e aponta investimentos em tecnologia e inovação como parte de sua gestão, bem como projetos voltados à segurança e à área social.
No campo político, reforça a atuação em articulações regionais e a participação em entidades ligadas à administração pública, o que, segundo ele, amplia a capacidade de interlocução e captação de recursos.
Além da trajetória administrativa, Gustavo Reis também mantém presença no debate público, com participação em programas de rádio e televisão e produção de conteúdo voltado à gestão e política. Ele já disputou anteriormente uma vaga no Legislativo estadual, em 2002, e agora retorna à disputa com o objetivo de ampliar sua atuação para além do cenário municipal. Representatividade regional na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo
Como pretende defender os interesses da RMC dentro da ALESP? Quais pautas regionais seriam prioridade no mandato?
Vou levar para a Assembleia a voz de quem vive o dia a dia das nossas cidades do interior paulista. Minha defesa será técnica e política: lutar por um orçamento estadual que respeite o peso econômico da RMC. Como ex-presidente do Conselho de Desenvolvimento da RMC, sei que não se faz gestão isolada; vou articular frentes parlamentares para garantir que investimentos em infraestrutura e tecnologia cheguem à nossa ponta, transformando nossa força regional em prioridade no Governo do Estado. Minhas prioridades são claras e urgentes: a Mobilidade Urbana, com a consolidação do Trem Intercidades (TIC) ligando nossa região à capital; a Saúde Regionalizada, fortalecendo a rede de AMEs e hospitais para que ninguém precise viajar horas por atendimento; e a Segurança Integrada, expandindo o modelo de videomonitoramento inteligente que tanto defendi na RMC para um cinturão eletrônico estadual. Mobilidade e integração entre cidades da RMC
Quais propostas para melhorar rodovias, transporte intermunicipal e acesso a polos como Campinas? Nossa região é o maior hub logístico do interior, mas o gargalo do transporte ainda trava o nosso crescimento. Minha proposta é a Integração Inteligente. Vou lutar na ALESP pela expansão das faixas adicionais na SP-340 (Adhemar de Barros) e na SP-095, garantindo fluidez para quem sai de Jaguariúna rumo a Campinas. Mobilidade é dignidade e tempo com a família. Saúde pública regionalizada
Como reduzir a sobrecarga de hospitais em cidades-polo? Quais propostas para fortalecer consórcios intermunicipais de saúde?
A solução não é construir apenas grandes hospitais nos centros, mas fortalecer a base nas cidades vizinhas. Eu sempre defendi que a saúde não pode ter fronteiras municipais, porque o vírus e a doença não pedem licença ao atravessar a divisa de uma cidade.
Desde setembro de 2021, quando liderei a criação da "Carta Campinas" à frente do Conselho da RMC, minha luta tem sido clara: o Hospital Metropolitano é uma necessidade urgente para o nosso povo. Vou lutar pela Regionalização Efetiva da Saúde. Precisamos ampliar os AMEs (Ambulatórios Médicos de Especialidades) e criar Centros de Diagnóstico municipais para que o cidadão de Jaguariúna, Pedreira ou Santo Antônio de Posse resolva seus exames e consultas perto de casa.
Os consórcios são a inteligência da gestão pública moderna. Como vice-presidente da APM, vi que a união de cidades barateia custos e acelera filas. Minha proposta na ALESP é criar um Fundo Estadual de Apoio aos Consórcios. Quero garantir que o Estado aporte recursos diretos para que os consórcios comprem cirurgias eletivas em bloco e mantenham frotas de transporte sanitário modernas. Se as cidades se unem para comprar mais barato, o dinheiro público rende mais e o atendimento chega mais rápido ao braço do povo.
Reforma tributária e impactos regionais
Qual é sua avaliação sobre a reforma tributária em discussão no país e de que forma ela pode impactar os municípios da Região Metropolitana de Campinas? Quais medidas pretende defender para garantir que cidades como Jaguariúna não percam arrecadação?
A reforma é necessária para desburocratizar o Brasil, mas minha avaliação é de alerta. Nas minhas palestrar pelas cidades sobre o tema, defendo o municipalismo e digo que o grande risco para a RMC é a transição do ISS (municipal) para o IBS (federalizado/estadualizado). Cidades como as nossas, que são polos de serviços e tecnologia, podem sofrer com a redistribuição do 'bolo tributário'.
O impacto na RMC será sentido na gestão do fluxo de caixa: passaremos a depender de um Comitê Gestor para receber o que hoje arrecadamos diretamente. Como deputado, serei o vigia dessa transição para que o dinamismo econômico de Campinas, Jaguariúna e região não seja punido para financiar outras regiões sem a devida compensação.
Não vou aceitar que Jaguariúna perca um centavo sequer. Vou defender três medidas centrais na ALESP: primeiro, a efetividade do Fundo de Compensação de Perdas, garantindo que o aporte de R$ 8,3 bilhões anunciado pelo Governo Federal chegue de fato às prefeituras que tiverem queda de receita.
Segundo, a representatividade forte no Comitê Gestor do IBS, para que os prefeitos da nossa região tenham voz ativa nas decisões. E terceiro, o incentivo à Modernização Tributária Local, ajudando as prefeituras a atualizarem seus cadastros imobiliários e de serviços para que, mesmo com as novas regras, a eficiência na cobrança compense qualquer mudança de alíquota.
Segurança pública no interior paulista
Quais propostas para a atuação das polícias na região? Como combater o aumento de furtos, roubos e tráfico em cidades médias?
Minha proposta é consolidar o Cinturão de Segurança da RMC. Vou trabalhar na ALESP para que o Estado financie a integração total das câmeras das Guardas Municipais com os sistemas das Polícias Civil e Militar (o Detecta e o Muralha Paulista). Não faz sentido a inteligência parar na divisa da cidade. Também defenderei a valorização salarial e a recomposição do efetivo da Polícia Civil, que é o nosso braço de investigação. Polícia motivada e com tecnologia de ponta é o que vai garantir que a nossa região continue sendo uma das mais seguras do país.
É uma pergunta (furtos e roubos) que todos adorariam saber a solução, mas infelizmente essa resposta é sobre o que é possível pensar. Por exemplo, em Jaguariúna, foi possível reduzir roubos de veículos em mais de 50% em 2025 com o COI (Centro de Operações e Inteligência), e quero levar esse modelo para todo o estado. Como deputado, vou defender o endurecimento das leis para a receptação (pois quem furta celular ou fiação só o faz porque tem quem compre).
Contra o tráfico, a saída é a Segurança de Proximidade: câmeras de reconhecimento facial em áreas estratégicas e o fortalecimento do policiamento comunitário para sufocar o crime antes que ele se instale nos bairros.
Infraestrutura urbana e crescimento desordenado
Como lidar com a expansão urbana sem planejamento? Como o Estado pode apoiar obras estruturais (drenagem, pavimentação, habitação)?
O crescimento desordenado é o maior inimigo da qualidade de vida. Como deputado, vou propor o Estatuto da Expansão Responsável. Precisamos de leis estaduais que incentivem o adensamento urbano em áreas com infraestrutura, evitando que as cidades avancem sobre áreas de preservação ou sem saneamento.
Vou trabalhar junto ao CDHU e à Secretaria de Desenvolvimento Urbano para que novos loteamentos só sejam aprovados com contrapartidas reais de equipamentos públicos (escolas e postos de saúde) e conectividade. Planejar não é proibir o crescimento, é garantir que a cidade cresça sem deixar ninguém para trás.
O Estado tem que ser o grande financiador do desenvolvimento local. Minha bandeira será a criação do Fundo de Infraestrutura Municipal (FIM), com repasses desburocratizados para obras invisíveis, mas vitais, como a drenagem (que evita as enchentes que castigam nossa região). Em Jaguariúna, mostramos como pavimentar e sanear transforma bairros.
Na ALESP, vou articular para que programas como o 'Nossa Casa' e o 'Viver Melhor' tripliquem o investimento na RMC. Não quero apenas mandar emenda parlamentar; quero garantir que o orçamento estadual preveja obras de macrodrenagem intermunicipais, porque a água da chuva não respeita limite de cidade.
Educação técnica e acesso ao ensino superior
Há propostas para ampliar vagas em ETEC e FATEC? Quais políticas para manter jovens qualificados na região?
Sim, e essa é uma prioridade absoluta. Vou lutar pela expansão de cursos voltados à Indústria 4.0, Agronegócio de Precisão e Tecnologia da Informação. O Centro Paula Souza precisa de mais orçamento para contratar professores — como os 240 novos que acabaram de abrir concurso agora em março de 2026 — e para garantir que o jovem saia do curso técnico com um pé dentro da empresa.
O 'apagão de talentos' só se resolve com o que chamo de Ecossistema de Retenção. Não adianta formar o jovem se ele tiver que ir para São Paulo buscar salário bom. Minhas propostas são: primeiro, incentivos fiscais para empresas da RMC que contratarem alunos das nossas ETECs e FATECs por meio do programa 'Meu Primeiro Emprego'.
Segundo, fomento a Hubs de Inovação e Startups regionais, para que o jovem empreenda aqui. E terceiro, investir em qualidade de vida e mobilidade, afinal, se o jovem tem transporte fácil entre Jaguariúna e Campinas e lazer de qualidade, ele escolhe ficar aqui. Queremos que a nossa inteligência produza riqueza para a nossa gente.
Relação com o governo estadual
Como pretende atuar junto ao governador para trazer investimentos? Como o alinhamento ou independência política pode impactar a região? Minha atuação será baseada no diálogo técnico e na proximidade política. O governador Tarcísio é um homem de entregas, e ele sabe que eu falo a mesma língua: a das obras que transformam a vida das pessoas. Como deputado, serei o principal interlocutor da nossa região no Palácio dos Bandeirantes. Não vou apenas pedir; vou levar projetos prontos, com viabilidade técnica, para acelerar investimentos em saneamento, habitação e infraestrutura. Minha experiência como prefeito e presidente da RMC me permite sentar com o governador e mostrar, com dados, onde o recurso estadual terá o maior impacto social para a nossa gente.
A política não pode ser um fim em si mesma, mas um meio para melhorar a vida do cidadão. O meu alinhamento com o projeto do governador e do PSD é programático, focado em resultados. Quando a cidade, o estado e a bancada de deputados falam a mesma língua, as coisas acontecem: as obras saem do papel, as vagas de ETEC abrem e a segurança aumenta.
A independência, para mim, significa ter a coragem de cobrar o que é direito da nossa região, independentemente de sigla. Mas a união de forças é o que traz o asfalto, o hospital e o emprego. Minha lealdade é com os interesses da RMC e de Jaguariúna.
Meio ambiente e sustentabilidade
Quais propostas para proteção de mananciais e áreas verdes da RMC?
A preservação dos nossos mananciais, como as bacias dos rios Atibaia e Jaguari, é questão de sobrevivência regional. Minha proposta na ALESP é o Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) Metropolitano. Precisamos remunerar o produtor rural que preserva a mata ciliar e as nascentes em suas terras. Além disso, vou lutar pela criação de Corredores Ecológicos Intermunicipais, conectando as áreas verdes de Jaguariúna, Campinas e Pedreira. Proteger o verde não é frear o progresso, é garantir que teremos água e clima ameno para continuar produzindo e vivendo com qualidade.
Há soluções para resíduos, crise hídrica e mudanças climáticas? Mais uma pergunta que adoraria dar a resposta certa, mas como são situações inerentes à nossa vontade e que não estão no controle dos homens, digo que a solução passa pela regionalização. Para os resíduos, minha bandeira é o fim dos aterros individuais e o incentivo às Usinas de Valorização Energética (WTE) via consórcios, transformando lixo em energia.
Contra a crise hídrica, vou cobrar a conclusão das barragens de Pedreira e Duas Pontes, que são vitais para a nossa reserva. E para as mudanças climáticas, defenderei o Plano de Resiliência Urbana Estadual, enviando recursos para obras de macrodrenagem e contenção de encostas. O Estado precisa ajudar as prefeituras a prepararem as cidades para os eventos extremos que já são realidade.
Expansão da atuação política além da cidade de origem
Como pretende conquistar a confiança de eleitores de outras cidades? O que diferencia sua candidatura das lideranças já existentes? Conquisto a confiança com o que eu chamo de cartão de visitas de gestão. Tenho a alegria de ter um histórico honrado como prefeito de Jaguariúna e ter feito história com a minha gestão voltada para as pessoas durante a pandemia da COVID-19. Então, quem mora em Campinas, Holambra, Pedreira, Santo Antônio de Posse, Americana e outras lindas cidades da região sabem como Jaguariúna se transformou: somos referência em tecnologia, saúde, educação e qualidade de vida.
Vou mostrar que os problemas que resolvi aqui, nas mais diferentes áreas, são, muitas vezes, os mesmos que o eleitor de qualquer cidade do estado enfrenta. Não sou um candidato de promessa, sou um candidato de entrega. Tenho experiência comprovada em mais de 25 anos de vida pública. Agora quero levar essa experiência para o plenário da ALESP e realizar o desejo de quem me ajudou a ser quem eu sou: um homem público que faz acontecer.

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