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Com ressalvas do TCE e reprovação do Ministério Público, contas de 2023 vão à votação na Câmara de Jaguariúna

  • Foto do escritor: Redação
    Redação
  • 27 de abr.
  • 3 min de leitura

Os vereadores de Jaguariúna votam nesta terça-feira (28), durante sessão ordinária, o relatório do Tribunal de Contas do Estado (TCE-SP) da prestação de contas da Prefeitura referentes ao exercício de 2023 - período governado pelo ex-prefeito Márcio Gustavo Bernardes Reis.


As contas receberam parecer favorável do TCE, mas com um volume expressivo de ressalvas: o relatório técnico reúne cerca de 50 apontamentos, envolvendo desde questões fiscais e de planejamento até problemas estruturais nas áreas de saúde, educação e transparência (lista completa abaixo).


Apesar da aprovação com ressalvas pelo Tribunal, o Ministério Público de Contas emitiu parecer desfavorável às contas, destacando falhas na condução das políticas públicas e inconsistências na gestão administrativa.


A análise definitiva do parecer será feita pelos 13 vereadores em primeira e única discussão, na sessão desta terça-feira, conforme consta na pauta. A decisão do Legislativo é soberana e pode confirmar ou contrariar o entendimento técnico do Tribunal de Contas.

9ª Sessão Ordinária ocorre no plenário da Câmara de Jaguariúna a partir das 18h30 - Foto: Divulgação
9ª Sessão Ordinária ocorre no plenário da Câmara de Jaguariúna a partir das 18h30 - Foto: Divulgação

Principais apontamentos do Tribunal de Contas


O relatório técnico identificou uma série de falhas e inconsistências na gestão de 2023. Entre os principais pontos:


1. Problemas fiscais e financeiros

  1. Déficit orçamentário de 7,68%

  2. Queda de 45% nas disponibilidades financeiras

  3. Resultado econômico negativo após reversão de cenário positivo

  4. Baixo investimento público (3,85% da receita corrente líquida)

  5. Elevado volume de alterações orçamentárias (21,20%)


2. Falhas no planejamento e gestão orçamentária

  1. Planejamento com baixa efetividade (nota “C” no IEG-M)

  2. Falta de participação popular nas audiências públicas

  3. Metas do PPA sem indicadores eficazes

  4. LOA (Lei Orçamentária Anual) com autorização excessiva para abertura de créditos

  5. Município não atingiu 25% das metas previstas


3. Transparência e controle interno

  1. Falta de transparência em repasses à entidade de saúde (ASAMAS)

  2. Falta de clareza na aplicação de emendas parlamentares

  3. Controle interno com estrutura inadequada

  4. Dados inconsistentes enviados ao sistema AUDESP

  5. Informações incompletas no portal da transparência


4. Educação

  1. Déficit crescente de vagas em creches (599 crianças em 2023)

  2. Falta de AVCB em mais da metade das escolas

  3. Unidades com necessidade de manutenção

  4. Plano Municipal de Educação sem cronograma

  5. Desempenho escolar desigual

  6. Problemas em repasses ao terceiro setor


5. Saúde

  1. Longas filas por consultas, exames e cirurgias (casos acima de 7 anos)

  2. 61,59% dos recursos da saúde destinados a terceirizações

  3. Irregularidades em contratos com entidade gestora

  4. Falta de licenças sanitárias em unidades

  5. Estruturas físicas com necessidade de reparos

  6. Cobertura vacinal abaixo do ideal

  7. Falta de divulgação de escalas médicas

  8. Plantões médicos superiores a 24 horas


6. Infraestrutura e prédios públicos

  1. Falta de AVCB em diversos prédios públicos

  2. Problemas estruturais em unidades municipais

  3. Imóveis públicos sem regularização documental


7. Gestão de pessoal

  1. Servidores comissionados sem nível superior

  2. 64 cargos comissionados sem atribuições adequadas

  3. Pagamento recorrente de horas extras

  4. Gratificações pagas em duplicidade


8. Gestão administrativa e legal

  1. Reconhecimento de dívidas sem empenho prévio

  2. Falhas na contabilização de despesas

  3. Problemas no controle de emendas parlamentares

  4. Falta de contas específicas para recursos recebidos

  5. Não cumprimento do prazo do SIAFIC


9. Dívida ativa e arrecadação

  1. Cobrança ineficiente da dívida ativa

  2. Repetição de programas REFIS sem controle adequado


10. Outras inconsistências relevantes

  1. Falta de dados confiáveis em indicadores oficiais

  2. Descumprimento de recomendações anteriores do Tribunal

  3. Risco de não cumprimento de metas da Agenda 2030 (ODS)


Parecer contrário do Ministério Público de Contas


Mesmo com a aprovação com ressalvas, o Ministério Público de Contas apontou um conjunto de fatores que justificariam a rejeição das contas, entre eles:


  • Queda na qualidade da gestão pública (IEG-M)

  • Déficit em creches

  • Falta de AVCB em prédios públicos

  • Filas excessivas na saúde

  • Alto volume de alterações orçamentárias

  • Dados inconsistentes nos sistemas oficiais

  • Irregularidades em cargos comissionados

  • Pagamento excessivo de horas extras

  • Falha em cumprir requisitos para receber recursos do FUNDEB


Durante a tramitação do processo, a Prefeitura apresentou defesa e encaminhou justificativas aos apontamentos feitos pela fiscalização, as quais foram analisadas pela equipe técnica do Tribunal de Contas no curso do processo.

As contas de 2024 da Prefeitura ainda não foram encaminhadas para julgamento e seguem em fase de análise pelos órgãos de controle.


 

 
 
 

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